É simplificar demais achar que as escolhas são diretamente conseqüências do fato de se possuir ou não opções, afinal, onde não há opções, não há necessidade de escolha. Mas e se a escolha for abandonar as opções?O espelho às vezes é ingrato. Por que ele sempre tende a mostrar aquilo em que nos tornamos por fim? É apenas o que finalmente parecemos. A grandeza de nossos desejos e as cicatrizes de nossas abdicações nunca se revelam à sua presença. Somos presos a isso. A uma aparência frágil que simplesmente não suportaria carregar à luz dos olhos alheios todos os detalhes e etapas que cada passo vai produzindo. De repente apenas acordamos e percebemos as manchas escuras sob os olhos. E eu sorrio. Quem dera as transformações e dilemas do mundo respondessem apenas com olheiras também. Mas é destino sermos sempre maiores do que planejamos ser.
Imagine uma estrada que se derrama em vários caminhos, cada um mais tentador que o próximo. Você segue, e mais além encontra uma bifurcação. O lado direito, o mais sedutor, se revela traiçoeiro, lhe apresentando a tantos outros caminhos, cada vez menos fáceis de escolher. É então que a dúvida encontra o passo. E se no esquerdo houvesse um caminho exatamente como o que faltava ali? Mas nada disso aconteceria se a bifurcação houvesse sido ignorada. Porém, se lá no início não houvesse a estrada, talvez fossem seus desejos que traçariam o caminho. Eis que chega o desespero e sugere que não lhe fosse dado o poder de escolha. Então não haveria porque existirem opções e, daí, para que dúvidas?
E é lá, no meio daquela estradinha que o porquê de ter chegado até ali lhe ocorre. O sonho lhe lembra como foi que por ele você pegou a estrada, desejando realizá-lo foi que você considerou todas as opções, acertou e errou, diminuiu e acelerou o passo e conheceu tão mais de perto a dúvida. Então você percebe que sempre fora assim, nunca havia sido fácil, desde o primeiro passo. Mas fora também por nunca ter sido tão difícil que você percebe o quanto evoluíra. E é por isso que você levanta, sorri para as marcas de suas pegadas e ergue a cabeça para o futuro, esse desconhecido de face tão ameaçadoramente fascinante.