Eu te amo.
Amo devagar,
amo sem pressa
com a avidez de quem espera o tempo passar.
Eu te amo.
Amo cada pedacinho seu
cada linha e cada traço
cada sorriso e cada passo.
Eu te amo.
Não como aqueles que sofrem, que choram
que se dóem e que imploram
ao outro por um pedaço seu para amar.
Meu amor é compassado
é equilíbrio desmedido
é o egoísmo de só querer-te
e apenas por ti querer viver.
Meu amor é saudade
é cuidado
é perder-me num afago
entorpecer-me em teu beijo
e encontrar-me em teu abraço.
Não. Não te amo como os loucos alucinados
nem como os céticos desalmados.
Amo-te reconhecendo a ti e a mim
o agora e o porvir.
Eu te amo.
Entendendo teus momentos e os meus
tuas dores e as minhas
meus desejos e os teus.
Aprendendo contigo a amar-te
e com o mundo a aprender
que eu não sei mais sem você.
Sim, eu te amo.
A toda hora.
Mesmo quando nem sei que amo
mesmo porque sei que és meu
mesmo por apenas isto saber
e assim, para sempre, desejar viver.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Evidências que Incomodam

O tempo. Como se mede o tempo? Afinal, seria ele uma grande idéia abstrata que objetiva primordialmente organizar nossas vidas, ou simplesmente um obstáculo impertinente que insiste em atrapalhar os detalhes prazerosos do cotidiano? Bom, se minha opinião for de validez para o assunto, lhe afirmo que dou mais crédito à segunda opção.
Motivo? Acredite, não é apenas mais uma reflexão sem sentido de um desses calouros que acha o fim do mundo ter que perder quase um semestre inteiro diante de milhares de livros, autores até então desconhecidos e escritos aparentemente em código que provavelmente serão de pouca ou nenhuma utilidade a partir do resto do período acadêmico. Não, imagine. É uma idéia totalmente fundamentada, pois, acredite, esse pensamento não é só meu.
Não tenho como objetivo dizer que o tempo é uma criação inútil, entretanto. Apenas pretendo explicitar o quanto ele costuma ser mal aplicado.
É fato que todos nós, ao entrarmos na Faculdade de Direito do Recife, nos deparamos com os mais diversos tipos de pessoas, idades e personalidades. Simultâneo a isso, passamos a lidar com autores, teorias, dogmas e livros mofados que, segundo aqueles que nos instruem, são a base de toda a nossa carreira acadêmica. Em meio a isso, sofremos diariamente a perda considerável de minutos que nos levam à quase inalcançável cidade universitária para que aprendamos sobre mais pessoas, mais teorias e tenhamos mais aulas sobre assuntos que embora não sejam o foco de nosso curso, dizem serem necessários a nossa formação intelectual. É aí que, diante de todo esse esforço, essa correria diária e esse armazenamento quase impossível de todas essas informações, nos lembramos que nosso curso é, todavia, direito.
E é nessa hora que os pensamentos de Kelsen, as fórmulas sobre oferta e demanda e Aristóteles, somados ao vazio de nossos bolsos causado pelas intermináveis xérox, nos vêm a cabeça e se manifestam em uma pergunta: afinal, por que tudo isso?
E não, isso não é uma pergunta retórica fundamentada na preguiça. É só que, bem, é no Brasil que vivemos, certo? Diante dessa sociedade ainda não-madura e dependente de sistemas alopoiéticos que se apóia em formas de direito alternativo para que se mantenha funcionando, às custas da ilusão de um direito neutro e técnico que se sobressai fundamentalmente da vontade de um judiciário que, por sua vez, a cada dia sofre mais intensamente com o problema da legitimação de si mesmo gerado pela cultura brasileira arraigada pela ideologia de predominância do desrespeito às normas... Enfim, toda aquela história. É, é o “jeitinho”. É então, meu caro estudante de direito, que você se entrega a uma reflexão na qual apenas um minuto lhe é suficiente para que se arrependa de todo o tempo que você perde e tem perdido entre colégios particulares e cursinhos pré-vestibular, fichamentos e tudo o mais...
Afinal, por que tanto tempo perdido, se no futuro o que lhe valerá de fato será a sua agenda telefônica e não seu curriculum vitae? É duro constatar isso no primeiro ano de faculdade e ter que conformar-se a essa rotina desprovida de objetivo prático por mais cinco anos. Contudo, não se deve jamais esquecer que, embora nosso tempo ande mal preenchido ultimamente, nem tudo está perdido. Nunca esqueça de que os colegas de hoje serão o judiciário de amanha, meu caro. Portanto, segue um conselho: um tempo otimizado durante a faculdade de direito vale mais do que qualquer exemplar da “Teoria Pura”. Acredite, aquela fábula que conta que os melhores alunos sempre têm mais chance de serem bem-sucedidos simplesmente esbarra no contexto social brasileiro. Partindo daí, eu acabo por preferir outra máxima, por sinal, muito ouvida por mim ultimamente, afinal, depois de tal análise, não se pode negar que, sob todas as evidências, o mundo é, realmente, dos espertos.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
De vez em quando
E de vez em quando eu paro pra pensar como o mundo é engraçado.
Naqueles momentos em que nos percebemos assumindo uma visão externa, apenas observadora, de tudo o que acontece e funciona em volta, tão incrivelmente independentes de nosso âmbito de atuação. É então que me dou conta de minha total insignificância, da total independência da rotação da Terra ao meu querer.
E me assusto. Afinal, eu, tão essencialmente importante para mim, apenas estou aqui. Não faço parte de nada essencial a tudo, não sou mais do que o que sou, simplesmente. Mas continuo estando, apesar de tudo. Inexoravelmente.
E é então que me sinto orgulhosa por ter tanta sorte.
Estou aqui, é fato. Mas e por quê? Ah, sim, é da boa e velha pergunta da humanidade de que falo.
Apenas um mero acaso? Uma trelinha de papai e mamãe? Ou um resultado planejado da providência divina?
Uma origem que leva a finalidades por mim desconhecidas, por mim muito questionadas, mas por ninguém respondida. E isso é realmente frustrante.
Humana. Entre bilhões, aqui estou. Apenas um animal que teve sorte diante da escala evolutiva, ou uma raça escolhida para reinar diante do resto?
Talvez isso pareça não fazer tanta diferença para alguns, já que o que importa é que agora estamos aqui e ponto. Mas acredite, estamos aqui agora e ponto, mas amanhã, será esse ponto apenas mais um ponto diante de todos os outros pontos, escritos durante um insignificante intervalo de tempo passado dentro de uma humilde esfera continente de vida, perdida talvez entre tantas outras, agrupadas em infinitos sistemas existentes no universo em que estamos inseridos?
É nesse momento que me pego crendo na minha mais profunda insignificância. Comparado a isso, somos quase como aquele pequeno grão de areia na praia. Apenas.
Às vezes isso parece realmente importar, e horas se perdem diante desses devaneios. Mas o que acontece é que tais respostas não estão ao meu alcance. E nem ao seu.
A realidade é, simplesmente. E o que me cabe é prosseguir. Tal qual todos somos destinados, pois, é, foi e sempre será assim. Antes ou depois de nós, o mundo continuará girando e as pessoas respirando. E nada se alterará.
Entretanto, saindo de uma perspectiva tão pouco otimista, acredito que ainda nos reste uma chance. Sim, é verdade que não podemos lutar com o que virá, nem descobrir por que, de fato, é assim. Mas se há algo que a nós é permitido é agir. Ser notável diante dessa nossa restrita e minúscula circunferência. Escrever nosso nome por aí para que, ao final, alguém possa saber que mesmo um dia, você passou por aqui. E fez bonito.
Naqueles momentos em que nos percebemos assumindo uma visão externa, apenas observadora, de tudo o que acontece e funciona em volta, tão incrivelmente independentes de nosso âmbito de atuação. É então que me dou conta de minha total insignificância, da total independência da rotação da Terra ao meu querer.
E me assusto. Afinal, eu, tão essencialmente importante para mim, apenas estou aqui. Não faço parte de nada essencial a tudo, não sou mais do que o que sou, simplesmente. Mas continuo estando, apesar de tudo. Inexoravelmente.
E é então que me sinto orgulhosa por ter tanta sorte.
Estou aqui, é fato. Mas e por quê? Ah, sim, é da boa e velha pergunta da humanidade de que falo.
Apenas um mero acaso? Uma trelinha de papai e mamãe? Ou um resultado planejado da providência divina?
Uma origem que leva a finalidades por mim desconhecidas, por mim muito questionadas, mas por ninguém respondida. E isso é realmente frustrante.
Humana. Entre bilhões, aqui estou. Apenas um animal que teve sorte diante da escala evolutiva, ou uma raça escolhida para reinar diante do resto?
Talvez isso pareça não fazer tanta diferença para alguns, já que o que importa é que agora estamos aqui e ponto. Mas acredite, estamos aqui agora e ponto, mas amanhã, será esse ponto apenas mais um ponto diante de todos os outros pontos, escritos durante um insignificante intervalo de tempo passado dentro de uma humilde esfera continente de vida, perdida talvez entre tantas outras, agrupadas em infinitos sistemas existentes no universo em que estamos inseridos?
É nesse momento que me pego crendo na minha mais profunda insignificância. Comparado a isso, somos quase como aquele pequeno grão de areia na praia. Apenas.
Às vezes isso parece realmente importar, e horas se perdem diante desses devaneios. Mas o que acontece é que tais respostas não estão ao meu alcance. E nem ao seu.
A realidade é, simplesmente. E o que me cabe é prosseguir. Tal qual todos somos destinados, pois, é, foi e sempre será assim. Antes ou depois de nós, o mundo continuará girando e as pessoas respirando. E nada se alterará.
Entretanto, saindo de uma perspectiva tão pouco otimista, acredito que ainda nos reste uma chance. Sim, é verdade que não podemos lutar com o que virá, nem descobrir por que, de fato, é assim. Mas se há algo que a nós é permitido é agir. Ser notável diante dessa nossa restrita e minúscula circunferência. Escrever nosso nome por aí para que, ao final, alguém possa saber que mesmo um dia, você passou por aqui. E fez bonito.
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