É simplificar demais achar que as escolhas são diretamente conseqüências do fato de se possuir ou não opções, afinal, onde não há opções, não há necessidade de escolha. Mas e se a escolha for abandonar as opções?O espelho às vezes é ingrato. Por que ele sempre tende a mostrar aquilo em que nos tornamos por fim? É apenas o que finalmente parecemos. A grandeza de nossos desejos e as cicatrizes de nossas abdicações nunca se revelam à sua presença. Somos presos a isso. A uma aparência frágil que simplesmente não suportaria carregar à luz dos olhos alheios todos os detalhes e etapas que cada passo vai produzindo. De repente apenas acordamos e percebemos as manchas escuras sob os olhos. E eu sorrio. Quem dera as transformações e dilemas do mundo respondessem apenas com olheiras também. Mas é destino sermos sempre maiores do que planejamos ser.
Imagine uma estrada que se derrama em vários caminhos, cada um mais tentador que o próximo. Você segue, e mais além encontra uma bifurcação. O lado direito, o mais sedutor, se revela traiçoeiro, lhe apresentando a tantos outros caminhos, cada vez menos fáceis de escolher. É então que a dúvida encontra o passo. E se no esquerdo houvesse um caminho exatamente como o que faltava ali? Mas nada disso aconteceria se a bifurcação houvesse sido ignorada. Porém, se lá no início não houvesse a estrada, talvez fossem seus desejos que traçariam o caminho. Eis que chega o desespero e sugere que não lhe fosse dado o poder de escolha. Então não haveria porque existirem opções e, daí, para que dúvidas?
E é lá, no meio daquela estradinha que o porquê de ter chegado até ali lhe ocorre. O sonho lhe lembra como foi que por ele você pegou a estrada, desejando realizá-lo foi que você considerou todas as opções, acertou e errou, diminuiu e acelerou o passo e conheceu tão mais de perto a dúvida. Então você percebe que sempre fora assim, nunca havia sido fácil, desde o primeiro passo. Mas fora também por nunca ter sido tão difícil que você percebe o quanto evoluíra. E é por isso que você levanta, sorri para as marcas de suas pegadas e ergue a cabeça para o futuro, esse desconhecido de face tão ameaçadoramente fascinante.
10 comentários:
Lila a cada post vejo a sua evoluçããão! Tu tem o Dom garota! Tocou meu (L) ;*
Muito legal mesmo lila! Parabéns :):)
Espero mais posts seus, pois eles servirão de pegadas para quando vc
levantar, sorrir para essas marcas e erguer a cabeça para o futuro!
bjão!:*
Esse texto não possui meias verdades, já que é retrato de uma visão auferida no próprio momento de um processo chamado ESCRITA. Possui verdades completas para você - Marília -, porque você escreveu para si mesma. Possui enganos para outros; eu, por exemplo, acho difícil existirem escolhas, já que as nossas são geralmente meras atitudes da sensatez que a sociedade nos impõe. Uma vez eu vi uma pessoa que entende desse assunto, e ela disse que nos raros momentos onde a nossa mente trabalha em função de suas próprias idéias, estamos num processo chamado CRIATIVO. Não tenho tanta autonomia para opinar com mais credibilidade que os outros, mas acho que a criatividade e a escolha caminham separadas.
::D
'Auferidas'? Túlio, a gente precisa rever o tipo de vocabulário que você vai usar no meu blog.. Eu posso barrar, sabia?
euehuheuheuheuheuheuheuheuh
Quem manda eu ter amigo intelectual, né?
Mas, voltando ao assunto principal, eu acho que definir nossas escolhas como "meras atitudes da sensatez que a sociedade nos impõe" é restringir demais o assunto, não? Você só se deixa conduzir pelas tendências da sociedade se você quiser, por mais intimidantes que elas sejam.. Querendo ou não, o nosso sistema sempre abre espaço, mesmo minúsculo, para o livre arbítrio, afinal é essa nossa essência, e é disso que é composta a sociedade. Você acha que a criatividade e a escolha não rumam juntas, já eu acho que uma é a matéria-prima da outra. Bem, posso estar falando do alto de minha ignorância, e minha autonomia para discutir as profundezas da alma humana seja, mais uma vez, bem medíocre..
Mas talvez seja simplesmente porque eu decidi abusar dos meus 'processos criativos'.
Eu fui bastante cirúrgico quando eu disse que GERALMENTE as nossas escolhas são tendenciadas pelo que a sociedade espera de nós. Pois é justamente o feixe que foge do convencional, do "geralmente", que se chama criatividade. Concordo quando você diz que CRIATIVIDADE e ESCOLHA são uma matéria-prima da outra, mas também sustento que elas divergem. São a versão e a diversão; encaro como uma cobra que come o próprio rabo.
::D
marilia
e suas escritas doidas
;P
e bonito oq tu escreve
minha capacidade q e pouca
=X
auhauahua
enfim
;****
MTO booom!
to aqui no auge da fuga, e tinha tanto o que opnar :~
mas me falta tempo!
continue exercitando a sua mente lilinha! pq cada dia que passa ela se supera :]
saudades :~
:*
É difícil falar sobre a questão das escolhas, porque faz parte de um debate mais amplo da dicotomia indivíduo/sociedade. De certa forma, por estarmos inseridos em uma sociedade, somos influenciados por ela. Mas aniquilar totalmente a possibilidade de autodeterminação
do indivíduo implica num eterminismo brutal, na redução do homem de agente do mundo a ob-
jeto do mundo. Ou seja, se o homem fosse totalmente determinado pela sociedade, seriamos meros robozinhos, e a sociedade seria imóvel. E temos que lembrar que a sociedade não é algo imutável, mas pelo contrário, é dinâmica, sendo fruto das disputas nos campos sociais, culturais, econômicos e etc.
Do mesmo modo que a sociedade não é imutável, também não é o indivíduo. E ele não é justamente pelas possibilidades de escolha, pelo livre-arbítrio, pela autodeterminação do sujeito. Mas ele não é também totalmente livre, visto que está inserido dentro dos parâmetros de sua própria sociedade, naõ conseguindo se livrar totalmente de sua influência. Mesmo que ele queira ser totalmente contrário a ela, ela ainda o influencia. Pra que exista uma antitese, deve existir primeiro uma tese.
(nossa, que comentario grade =p) Anyway, sou teu fã Lilowsa. E ainda quero teu autógrafo viu? ;P
Um bjãooo =****
Muitíssimo obrigada, Fernando. Faço minhas as palavras dele, Túlio.
Desconsiderando a imparcialidade, eu não poderia ter dito melhor..
uehueheuheuheuheuheuh
Beeeijo pra todos! ^^
"Não que acreditasse no novo, mas simplesmente se impacientava com a idéia de saber o próximo passo"
Nossa, eu tava procurando alguma coisa inteligente -motivo de ser uma citação e não algo escrito por mim- pra comentar aqui depois de tantos comentários inteligentes...
Daí fuçando por aí, achei essa frase e me lembrei do teu blog na hora, Lila. Num terminei nem de ler o texto de onde eu transplantei esse trecho, corri nos meus favoritos, entrei no blog e comentei. Agora vê se escreve com mais freqüência, né? Só eu que reclamo que tu demora demais?
Te amo, colega.
Beijo
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